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Notícia

Rede de gestores fortalece políticas de cidadania e direitos humanos

Iniciativa conecta gestores de 26 estados para fortalecer políticas públicas educacionais

Rede de Gestores Estaduais fortalece cooperação nacional por educação cidadã, direitos humanos e convivência escolar

Representantes de 26 das 27 unidades federativas brasileiras se reuniram, em maio de 2026, em Brasília, para o II Encontro de Gestores Estaduais pela Educação em Cidadania Democrática, Direitos Humanos e Convivência Escolar. Realizado pelo Instituto Auschwitz para a Prevenção de Genocídio e Atrocidades Massivas (AIPG), por meio do Warren Educational Policies Program (WEPP), em parceria com a Rede Nacional de Educação Cidadã (Redenec) e com apoio do Instituto Unibanco, o encontro deu continuidade a uma articulação nacional entre equipes técnicas das Secretarias Estaduais de Educação que atuam nessas agendas.

Realizado entre os dias 5 e 7 de maio, o encontro aconteceu no Instituto Cervantes e na Secretaria de Educação do Distrito Federal e reuniu, além das equipes das Secretarias Estaduais, representantes do governo federal, organizações da sociedade civil e instituições internacionais. Ao longo dos painéis e sessões de trabalho, os participantes compartilharam experiências, prioridades e desafios relacionados à educação para a cidadania democrática, aos direitos humanos e à convivência escolar.

Entre os temas debatidos estiveram racismo, violência de gênero, saúde mental, discurso de ódio e segurança digital, além de estratégias para fortalecer a cultura democrática e a participação cidadã nas escolas. Em grupos de trabalho, os gestores também trocaram experiências sobre a implementação de programas como o Escola que Protege e o Programa Educação para a Cidadania e para a Sustentabilidade (PECS).

O segundo encontro faz parte de um processo de articulação construído ao longo dos últimos anos. Em 2024, o Instituto Auschwitz e o Instituto Unibanco realizaram o I Encontro de Gestores Estaduais pela Educação em Cidadania Democrática, Direitos Humanos e Convivência Escolar, com a participação de representantes de 23 Secretarias Estaduais de Educação. O encontro marcou a aproximação entre as equipes e evidenciou a importância de criar espaços contínuos de diálogo e troca entre gestores que atuam nessas agendas.

Essa aproximação é resultado do trabalho que o Instituto Auschwitz já vinha desenvolvendo junto às Secretarias Estaduais de Educação. A experiência acumulada ao longo dessa atuação evidenciou a necessidade de criar e fortalecer uma infraestrutura permanente de diálogo e troca entre gestores responsáveis por políticas relacionadas à cidadania democrática e aos direitos humanos. Paula Alves, gerente do Programa de Políticas Educacionais Warren do Instituto Auschwitz, explica:

“Ao longo do trabalho do Instituto Auschwitz com as Secretarias, fomos percebendo que muitas das questões enfrentadas pelos estados eram semelhantes, ainda que se apresentassem de formas diferentes em cada território. Ao mesmo tempo, cada Secretaria havia desenvolvido conhecimentos, práticas e caminhos próprios para lidar com esses desafios. A Rede nasce, então, para aproximar essas experiências e transformar o conhecimento que já existe nas redes em patrimônio coletivo.”

Nos anos seguintes, a articulação continuou por meio de reuniões e outras iniciativas de intercâmbio. Em 2025, a Rede Nacional de Educação Cidadã (Redenec) se aproximou desse processo e passou a integrar a iniciativa como parceira, ampliando sua conexão com organizações e instituições que atuam com educação para a cidadania no Brasil.

É nesse contexto que se consolida a Rede Interfederativa de Técnicos das Secretarias Estaduais de Educação pela Educação em Cidadania Democrática, Convivência e Sustentabilidade, também conhecida como EduCIDES.

Uma comunidade de prática

Mais do que um espaço de compartilhamento de informações, a Rede busca constituir uma comunidade de prática, baseada na aprendizagem entre pares, no diálogo contínuo, na troca de metodologias e na colaboração entre profissionais que enfrentam desafios semelhantes em diferentes redes de ensino. Ao reconhecer dificuldades comuns e conhecer novas formas de enfrentá-las, os gestores ampliam suas possibilidades de atuação e encontram referências para adaptar experiências a seus próprios territórios.

Essa articulação auxilia na produção de mudanças concretas no modo organizacional em que as Secretarias percebem essas agendas em seus próprios territórios, com resultados práticos: no Mato Grosso do Sul, por exemplo, foi criada uma Unidade de Direitos Humanos; em Santa Catarina, houve o fortalecimento do Núcleo de Educação e Prevenção às Violências; e, no Tocantins, foi definido um ponto focal para a agenda de cidadania democrática, que também passou a ocupar maior espaço entre as prioridades da Secretaria.

A troca entre os estados ganha especial relevância diante de desafios cada vez mais complexos que chegam às escolas. Situações de violência, violações de direitos, conflitos e discursos de ódio colocam novas demandas para as redes de ensino e exigem respostas que considerem as especificidades de cada território. Nesse cenário, a articulação entre gestores permite compartilhar aprendizados, fortalecer iniciativas existentes e construir caminhos coletivos para enfrentar problemas comuns.

Além de contribuir para a formulação de respostas, a atuação em rede pode ajudar a garantir que essas políticas tenham continuidade e se consolidem nas estruturas das Secretarias. Para Paula Alves, essa é uma das grandes contribuições da Rede: criar condições para que conhecimentos, processos e relações institucionais permaneçam ao longo do tempo.

“Uma política pública torna-se mais sustentável quando deixa de depender exclusivamente de uma pessoa ou de uma gestão e passa a contar com estruturas, conhecimentos, processos e relações institucionais. A Rede pode contribuir justamente para isso: fortalecer as equipes técnicas, preservar e disseminar conhecimentos e criar vínculos que permanecem mesmo quando as pessoas e as gestões mudam. Além disso, a articulação entre os estados fortalece a capacidade de diálogo com o governo federal e com outros atores. Quando diferentes Secretarias conseguem identificar desafios comuns e construir uma agenda de forma colaborativa, elas ganham melhores condições para contribuir para políticas nacionais sem perder de vista as especificidades de cada território.”

Uma agenda que se fortalece em rede

A participação de representantes de 26 das 27 unidades federativas no segundo encontro evidencia a dimensão que a articulação alcançou desde 2024. Ao aproximar equipes que atuam nessas agendas, a Rede cria condições para que experiências, conhecimentos e estratégias desenvolvidos nos estados circulem, sejam aprimorados e possam inspirar novos formatos de atuação. Com a participação da Redenec, essa articulação se conecta a uma agenda mais ampla de educação para a cidadania no Brasil, fortalecendo os vínculos entre gestores, organizações da sociedade civil e instituições que atuam na promoção dos direitos humanos e da cultura democrática.